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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Solitária

Daqui uns dias fará um mês que ando escrevendo rascunhos curtos sobre ser solitária. Pessoa distante, não um verme intestinal.
Então, essa segunda me emprestaram uma revista bem conservada que estava no lixo, porque tinha uma matéria sobre as bonecas da Marina Bychkova.
Havia um teste para medir seu índice de solidão segunda a Ucla e eu fiz 56 pontos.
44 ou mais: você é uma pessoa solitária, e provavelmente sabe disso. Se isso não lhe causa incômodo, é possível que esteja só racionalizando o problema, isto é, inventando desculpas para não enfrentá-lo. Procure ajuda profissional e reavalie suas atitudes.

Hmm.
Eu gostaria de mandar todo mundo que bota esses testes nas revistas irem à merda. Que eu, lola, não sou seu público alvo. Não compraria guarda-chuva de R$ 1800, não teria interesse com pessoas que fazem botox, nem beberia vodka com escorpião dentro ou ligaria pra vida da Claudia Raia. Que se eu quiser ir pra China nunca pensaria na sua revista para me guiar. E que compreendo bem a pessoa que jogou sua revista no lixo.

O ponto é o que a matéria sobre solidão me faz recordar. Eu não fui dispensada das consultas com minha psicóloga, só parei de ir. As últimas vezes era só dinheiro mal gasto. Faz bastante tempo, mas ainda hoje não quero pagar para ser ouvida e escutar um pouco o que ela estudou. Iria pintar o cabelo e ajeitar o corte no lugar - se não arrumo minha vida, vou arrumar minhas madeixas.
Não é engraçado eu preferir ser ouvida por uma pessoa que só sei o nome do que por amigos preciosos que me oferecem ajuda? Não sei reconhecer boas ofertas.

Seja com quem for, eu não consigo dizer "eu estou triste". E eu estou realmente triste.
É idiotice e essa tristeza não existe. É o que eu penso. Que eu sou simplesmente piegas.
Eu não deveria andar chorando nos últimos dias e especialmente três vezes numa sexta-feira, mas eu preciso. Eu estou triste e quis escrever aqui, seja quem for ler por acaso ou se for a Laura ou o Rodrigo. Não me importo, eu só estou triste e eu não sei. Pensei em escrever e saiu.

O máximo que consigo exprimir ao contar para alguém é sobre falta de vontade e ouvir "Você é tão inerte" e além disso saiba que sou avoada, desorientada, dispersa do mundo e de memória fraca.
Eu gosto de pensar que são sintomas e que não sou desde sempre o que estou sendo agora.

Eu estou estragando minha vida deixando a maré levar ela para onde quiser, eu sei, mas eu sou incapaz de dar fim a minha existência... Não por covardia, mas porque seria idiota até cogitar o suicídio. Eu só estou um tanto triste e vou largar umas lágrimas, dessas salgadas.


Ah.
Quero fazer um apelo.
Peço que tentem me contactar de alguma forma se o senhor leitor gosta de mim. Juro que eu sou gentil e amável. Se você estiver se sentindo na merda, melhor, venha compartilhar o fedor comigo.
E eu vou fazer brownie! Olha que lindo, você me livra da tarefa de te buscar e vai se empanturar de chocolate de graça. Só precisa me dar um ombro para chorar.
Podem ignorar.

1 comentário(s):

Laura disse...

Aqui vai: "Eu te amooo!"
Sério, não consigo me imaginar eu hoje, se não tivesse estudado contigo ou tropeçado em ti ou conversado no ônibus. coisas importantes aconteceram comigo, conversas, momentos, tu estava lá, e foi importante pra mim. E por favor, só acho que é falta de meta, falta de sentido, coisas que ninguém vai poder te ajudar 100%, só ache algo de importante. Meu ombro, meu colo, meus braços, estão a tua disposição. POr favor não se mate. na realidade esse pedido n adiantaria se tu estivesse realmente obstinada, como eu sei que tu n ta, te peço.
Vou responder teu email agora